Carlos Vergara
A pintura torna-se território quando a matéria preserva as marcas do tempo, da memória e da paisagem.
A obra de Carlos Vergara nasce do encontro entre experiência e matéria. Pigmentos naturais, tecidos, minerais e impressões da própria paisagem transformam a pintura em um campo de memória, onde cada superfície registra vestígios do tempo e da presença humana. Sua pesquisa ultrapassa a representação para revelar atmosferas, texturas e narrativas silenciosas, convidando o espectador a percorrer territórios onde arte, natureza e história se entrelaçam
História
Nascido em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1941, Carlos Vergara é um dos mais importantes nomes da arte contemporânea brasileira. Vive e trabalha no Rio de Janeiro desde a década de 1960, período em que iniciou sua trajetória artística sob a influência de Iberê Camargo e passou a integrar a geração da Nova Figuração Brasileira, participando de exposições históricas como Opinião 65, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, movimentos que transformaram o cenário artístico nacional. Seu trabalho sempre foi marcado pela experimentação e pela ampliação dos limites da pintura.
Ao longo de mais de seis décadas de produção, desenvolveu uma linguagem que transita entre pintura, gravura, fotografia, instalação e monotipia, investigando as relações entre matéria, território e memória. A partir do final da década de 1980, aprofundou sua pesquisa com pigmentos minerais e naturais coletados em diferentes regiões do Brasil, incorporando impressões diretas da paisagem às obras e transformando o próprio ambiente em parte do processo criativo. Essa investigação conferiu à sua produção uma identidade singular, em que a superfície pictórica preserva as marcas da natureza e da passagem do tempo.
Com obras presentes nas principais coleções públicas e privadas do país, Carlos Vergara participou de importantes exposições internacionais, incluindo diversas edições da Bienal de São Paulo e a Bienal de Veneza, além de mostras em museus e instituições de referência na Europa e nas Américas. Sua trajetória consolidou uma produção de grande relevância para a arte brasileira, reconhecida pela constante inovação técnica e pela capacidade de transformar a pintura em uma experiência sensível, onde memória, paisagem e matéria coexistem em permanente diálogo








