Arquitetura de sensações
- Sergio Gonçalves Galeria

- 18 de nov.
- 2 min de leitura
A obra de Bernardo Mora insere-se numa linhagem que pulsa com o desejo de expandir a visão — não apenas como ato de ver, mas como vivência sensível, ativa e transformadora. Formado em Arquitetura pela École d’Architecture Paris Val-de-Marne, Mora migra do projeto construtivo para uma arquitetura de sensações, onde a tela se transforma em campo vibrátil, pulsante, inquieto. Seu vocabulário é marcado por aquilo que ele denomina “abstractocromia lírica”, uma síntese entre racionalidade geométrica e expressão sensível da cor em movimento.
Sua poética encontra ressonância na Op-Art , que emergiu com força nas décadas de 1950 e 60, com artistas como Le Parc, Vasarely, Agam e Bridget Riley. O movimento, ao contrário das tradições pictóricas anteriores, que exigiam contemplação passiva, era um convite à participação do espectador, através do uso de deslocamentos rítmicos, tensões entre figura e fundo e efeitos visuais. Mora herda esse ímpeto de envolver o público, mas vai além: ele musicaliza a geometria, cromatiza o ritmo e oferece à visão uma dança em múltiplas direções.
As composições mais recentes do artista, datadas de 2025, como “Geometrias em mutação”, “Tessituras acústicas” e “Vibrações atemporais”, trazem à tona uma maturidade de linguagem e uma pulsação quase transcendentes. A cor não é preenchimento, mas substância viva; a linha não limita, mas vibra; a estrutura não se fecha, mas sugere abertura. São paisagens interiores que se desdobram diante do olhar, como partituras óticas que convocam a uma sinfonia visual.
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Bernardo Mora, portanto, não apenas habita o território da arte ótica — ele o ressignifica com lirismo, emoção e arquitetura sensorial. Suas obras pedem tempo, presença e entrega. Não se revelam de imediato, mas seduzem pela maestria. Como espelhos do invisível, propõem uma experiência na qual o olho vê, mas também sente. Onde a cor vibra, mas também fala. E onde a geometria deixa de ser cálculo para tornar-se poesia.
Denise Mattar














































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