Imaterialidade
Glenn Hamilthon
Imaterialidade
Escultura e cor se organizam na tridimensionalidade.
Na escultura, os parâmetros são altura, base e profundidade e na cor, matiz, luminosidade e pureza. Não é apenas um sistema de ordem, mas um princípio de construção perceptiva: define relações, estabelece conexões e produz experiência no espaço.
A forma não existe sem o vazio assim como a cor não se manifesta sem a luz.
Essa aproximação torna-se evidente quando a escultura abdica da massa e passa a incorporar materiais permeáveis. Com o uso de telas metálicas, chapas perfuradas e elementos suspensos, o vazio deixa de ser intervalo e passa a constituir a forma, permitindo que cor e luz participem da construção visual.
Forma, luz e cor estabelecem uma existência silenciosa, baseada na presença. A potência desta interação é percebida de forma sutil, mas inequívoca. A cor passa de matéria aplicada para informação sensível, em constante mudança, diante da incidência da luz que atravessa a transparência do metal e permite que o movimento e o deslocamento do observador criem novas realidades.
A tridimensionalidade da escultura aproxima-se, então, da tridimensionalidade da cor. O metal permanece presente, mas sua leveza reduz a evidência da massa, permitindo que a escultura se projete em direção à imaterialidade da cor





Comentários